
NR-10, NR-12, NR-15, GMP, CFR 21: as principais normas para equipamentos farmacêuticos
Guia completo sobre as normas obrigatórias para equipamentos na indústria farmacêutica brasileira: NR-10, NR-12, NR-15, NR-17, NR-26, CFR 21 Parte 11 e GMP. Entenda o que cada uma exige.
Neste artigo
- 1Por que as normas são tão importantes?
- 2NR-10 — Segurança em Instalações e Serviços em Eletricidade
- 3NR-12 — Segurança no Trabalho em Máquinas e Equipamentos
- 4NR-15 — Atividades e Operações Insalubres
- 5NR-17 — Ergonomia
- 6NR-26 — Sinalização de Segurança
- 7CFR 21 Parte 11 — Registros e Assinaturas Eletrônicas
- 8GMP — Boas Práticas de Fabricação
- 9Como garantir conformidade na sua empresa
Por que as normas são tão importantes?
A indústria farmacêutica é um dos setores mais regulados do mundo — e com razão. Equipamentos fora de conformidade representam risco à saúde dos trabalhadores, à qualidade do produto e à empresa, que pode sofrer interdições, multas e recalls. Conhecer e aplicar as normas corretas é fundamental para operar com segurança e regularidade.
NR-10 — Segurança em Instalações e Serviços em Eletricidade
A Norma Regulamentadora 10 estabelece os requisitos e condições mínimas para garantir a segurança e saúde dos trabalhadores que interagem com instalações elétricas e serviços com eletricidade. Na indústria farmacêutica, praticamente todos os equipamentos são elétricos ou eletroeletrônicos, tornando a NR-10 indispensável.
As principais exigências da NR-10 para equipamentos farmacêuticos incluem:
- Instalações elétricas dimensionadas adequadamente para a carga dos equipamentos, com proteções contra sobrecarga e curto-circuito
- Aterramento elétrico de todos os equipamentos, com laudo de medição periódico
- Quadros de distribuição identificados e com acesso restrito a pessoas autorizadas
- Procedimento de Bloqueio e Etiquetagem (LOTO — Lockout/Tagout) obrigatório para manutenção em equipamentos energizados
- Capacitação obrigatória de todos os trabalhadores que atuam em proximidade com instalações elétricas (curso NR-10 básico ou SEP)
- Uso de EPI adequado (luvas isolantes, calçados de segurança dielétrico, capacete com proteção elétrica) por técnicos de manutenção
Ponto de atenção: a manutenção elétrica de equipamentos farmacêuticos em áreas classificadas (onde há risco de explosão por poeiras ou solventes) também exige atenção às normas ATEX/NEC para equipamentos em ambientes com atmosfera explosiva.
NR-12 — Segurança no Trabalho em Máquinas e Equipamentos
A Norma Regulamentadora 12 do Ministério do Trabalho estabelece os requisitos mínimos de segurança para o projeto, instalação, operação e manutenção de máquinas e equipamentos.
Na prática, para equipamentos farmacêuticos, a NR-12 exige:
- Proteções físicas (grades, barreiras) em todas as partes móveis acessíveis
- Dispositivos de parada de emergência (botão cogumelo) acessíveis ao operador
- Intertravamentos elétricos que impeçam o funcionamento com proteções abertas
- Sinalização de riscos e procedimentos de bloqueio/etiquetagem (LOTO)
- Distâncias de segurança entre partes móveis e operador
- Manual de operação e manutenção em português
Consequência do não cumprimento: interdição do equipamento pelo fiscal do trabalho e responsabilidade civil e criminal em caso de acidente.
NR-15 — Atividades e Operações Insalubres
A NR-15 define os limites de tolerância para agentes físicos, químicos e biológicos que podem causar danos à saúde do trabalhador. Na indústria farmacêutica, os principais agentes abordados são:
- Ruído: limite de 85 dB(A) para jornada de 8 horas — compressoras e moinhos frequentemente ultrapassam esse limite sem encapsulamento acústico
- Calor: em áreas de produção de softgel e gummy, onde há tanques aquecidos
- Poeiras: pós farmacêuticos em operações de compressão e encapsulamento
- Agentes químicos: solventes em processos de revestimento
O cumprimento da NR-15 requer medições periódicas por técnico de segurança e, quando os limites são ultrapassados, uso de EPI adequado ou controles de engenharia (exaustão, isolamento).
NR-17 — Ergonomia
A NR-17 estabelece parâmetros para adaptar as condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores. Para operadores de equipamentos farmacêuticos:
- Altura das superfícies de trabalho deve ser ajustável ou compatível com a estatura dos operadores
- Painéis de controle (IHM) devem estar posicionados na altura dos olhos, sem necessidade de curvatura ou extensão excessiva
- Esforço repetitivo para troca de formato deve ser minimizado — equipamentos com troca tool-free ajudam no cumprimento
- Iluminação adequada nas áreas de inspeção visual
NR-26 — Sinalização de Segurança
A NR-26 estabelece os padrões de cores e sinalizações para identificação de riscos em máquinas e instalações industriais. Principais aplicações em equipamentos farmacêuticos:
- Vermelho: equipamentos de combate a incêndio e dispositivos de parada de emergência
- Amarelo: sinalização de atenção, riscos de tropeço e partes móveis
- Azul: indicação de obrigatoriedade (uso de EPI)
- Verde: saídas de emergência e equipamentos de primeiros socorros
- Laranja: partes internas de máquinas que representam perigo quando expostas
CFR 21 Parte 11 — Registros e Assinaturas Eletrônicas
O 21 CFR Part 11 é o regulamento do FDA (agência americana de alimentos e medicamentos) que define os critérios sob os quais registros eletrônicos e assinaturas eletrônicas são considerados confiáveis e equivalentes a registros em papel.
Para equipamentos farmacêuticos, isso significa:
- Todos os parâmetros de processo devem ser registrados eletronicamente com data, hora e identificação do operador
- Os registros não podem ser alterados sem deixar rastro de auditoria (audit trail)
- Acesso ao sistema restrito por login e senha individuais
- Backup automático dos dados
Embora seja uma norma americana, empresas brasileiras que exportam para os EUA ou que são auditadas por clientes multinacionais precisam cumprir o CFR 21 Parte 11. A ANVISA também adota conceitos similares na RDC 301/2019.
GMP — Boas Práticas de Fabricação
As Good Manufacturing Practices (GMP) — ou Boas Práticas de Fabricação (BPF) — são um conjunto de diretrizes internacionais que garantem que os produtos farmacêuticos sejam produzidos e controlados de forma consistente. No Brasil, são regulamentadas pela ANVISA (RDC 301/2019).
Para um equipamento ser considerado "GMP compliant", ele deve atender aos seguintes requisitos:
- Materiais de contato: todas as superfícies que tocam o produto devem ser em aço inoxidável AISI 316L, sem frestas ou pontos de acúmulo
- Limpeza: design que facilite a limpeza e sanitização, com mínimo de pontos cegos
- Rastreabilidade: capacidade de registrar e rastrear todos os parâmetros de processo
- Qualificação: suporte à execução de protocolos IQ, OQ e PQ
- Manutenção: programa de manutenção preventiva documentado
- Sem lubrificantes que contaminem o produto: sistemas de lubrificação segregados ou com lubrificantes food-grade
Como garantir conformidade na sua empresa
A conformidade regulatória não é um evento único — é um processo contínuo. Recomendamos:
- Realizar auditoria técnica periódica nos equipamentos
- Manter documentação de qualificação atualizada
- Treinar operadores e técnicos regularmente
- Contar com um fornecedor que forneça suporte técnico especializado no Brasil
A Pharmatec oferece serviços de adequação regulatória e suporte técnico para todos os equipamentos que representa. Entre em contato para uma avaliação completa da sua linha de produção.
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