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Por que a softgel conquistou o mercado nutracêutico
A cápsula gelatinosa mole — a softgel — tornou-se o formato preferido para óleos, vitaminas lipossolúveis, ômega-3 e uma ampla gama de suplementos. Ela envolve o conteúdo líquido ou em pasta em um invólucro hermético que mascara sabor e odor, protege ingredientes sensíveis à oxidação e oferece dosagem precisa com excelente biodisponibilidade.
Por trás dessa cápsula aparentemente simples existe uma linha de produção sofisticada, com etapas encadeadas que exigem controle rigoroso de temperatura, umidade e dosagem. Este guia percorre cada uma delas e explica os equipamentos envolvidos.
Etapa 1 — Preparo da massa de gelatina
Tudo começa com a gelatina. Em um tanque de fusão (melting tank), a gelatina é hidratada e derretida junto com plastificantes (como a glicerina), água e, quando necessário, corantes e opacificantes. O controle de temperatura é crítico: a massa precisa atingir a viscosidade correta sem degradar a gelatina. A massa é então mantida aquecida e homogênea até o momento da encapsulação.
Etapa 2 — Preparo do conteúdo
Paralelamente, o material de recheio — óleo, suspensão ou pasta — é preparado, desaerado e homogeneizado. A ausência de bolhas de ar é essencial para a precisão da dosagem: uma bolha significa menos ativo na cápsula. O conteúdo é mantido em condições controladas e alimentado à encapsuladora por sistema de dosagem calibrado.
Etapa 3 — Encapsulação por matriz rotativa (rotary die)
É o coração do processo. A tecnologia rotary die forma, preenche e sela a cápsula em uma única operação contínua:
- Duas fitas de gelatina são formadas e resfriadas até a consistência ideal.
- As fitas convergem entre dois cilindros com matrizes gravadas no formato da cápsula (oval, oblonga, redonda etc.).
- No exato momento em que as matrizes se encontram, uma bomba dosadora injeta a quantidade precisa de conteúdo entre as duas fitas.
- A pressão e o calor das matrizes selam as bordas e cortam a cápsula, que cai já formada, preenchida e vedada.
A qualidade da cápsula depende do equilíbrio fino entre espessura da fita, temperatura das matrizes, viscosidade da gelatina e precisão da bomba dosadora. Pequenos desvios geram cápsulas com vazamento, bolhas ou peso fora da especificação.
Etapa 4 — Secagem
Ao sair da encapsuladora, a cápsula ainda está mole e com umidade elevada. A secagem ocorre em duas fases:
- Secagem em tumbler rotativo: as cápsulas giram em tambores com fluxo de ar controlado, iniciando a remoção de umidade superficial e evitando que grudem umas nas outras.
- Secagem em túnel ou estufa: em bandejas, sob temperatura e umidade controladas, as cápsulas atingem a umidade residual final — normalmente entre 6% e 10%, conforme a formulação. Essa etapa pode levar de horas a dias.
A secagem correta define a estabilidade e a integridade mecânica da cápsula: uma cápsula muito seca fica quebradiça; uma muito úmida gruda e deforma.
Etapa 5 — Inspeção, seleção e polimento
Após a secagem, as cápsulas passam por seleção e polimento. Cápsulas deformadas, com vazamento ou fora do tamanho são removidas — manualmente, por mesas de inspeção, ou automaticamente por sistemas de visão. O polimento remove resíduos de óleo da superfície, deixando a cápsula limpa e brilhante, pronta para a embalagem em frascos ou blister.
Escalas de produção: de P&D à indústria
| Escala | Aplicação |
|---|---|
| Laboratório / R&D | Desenvolvimento de formulação e lotes-piloto, baixo consumo de matéria-prima |
| Média escala | Produção comercial de nutracêuticos e farmacêuticos de médio volume |
| Alta escala (auto-servo) | Grandes volumes com máxima automação e uniformidade entre lotes |
A escolha da escala deve considerar não só o volume atual, mas o plano de crescimento — e a existência de equipamentos de laboratório da mesma linha facilita o scale-up posterior para a produção.
Conclusão
Produzir softgel com qualidade consistente é um desafio de engenharia de processo: cada etapa — do preparo da gelatina à secagem — influencia a integridade e a dosagem da cápsula final. Investir em equipamentos com controle preciso de temperatura, dosagem e secagem é o que separa uma produção estável de um índice alto de rejeição.
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