Para que serve o revestimento
Revestir um comprimido é aplicar uma camada fina e uniforme sobre ele, com objetivos que vão muito além da estética. O revestimento mascara sabor e odor desagradáveis, protege o princípio ativo contra umidade e luz, facilita a deglutição, permite a identificação por cor e — no caso do revestimento funcional — controla onde e quando o ativo será liberado no organismo.
Escolher o tipo de revestimento e o equipamento certo impacta diretamente a estabilidade e a eficácia do medicamento. Este guia cobre os três tipos principais.
Film coating (revestimento por película)
O mais comum na indústria moderna. Uma suspensão polimérica é pulverizada sobre os comprimidos em movimento dentro de uma bandeja perfurada, enquanto o ar aquecido evapora o solvente e forma um filme fino e uniforme. O ciclo típico dura de 2 a 3 horas e adiciona apenas 2% a 4% ao peso do comprimido.
É indicado para proteção contra umidade, mascaramento de sabor e melhoria estética, com sistemas aquosos (mais sustentáveis) ou não aquosos.
Revestimento entérico
É um film coating funcional com polímeros especiais que resistem ao pH ácido do estômago e só se dissolvem no pH mais alto do intestino. É essencial para dois casos: ativos que irritam a mucosa gástrica e ativos que seriam degradados pelo ácido estomacal.
O revestimento entérico exige controle rigoroso da espessura e uniformidade da camada — falhas locais comprometem a proteção e a liberação no local correto.
Sugar coating (revestimento de açúcar)
O método tradicional, anterior ao film coating. Aplica camadas sucessivas de xarope de açúcar até formar uma casca espessa, lisa e brilhante. É muito mais demorado (10 a 16 horas) e adiciona peso significativo ao comprimido (30% a 50%), mas ainda é usado para produtos que exigem aparência clássica ou mascaramento intenso de sabor.
Como funciona a drageadeira
O equipamento de revestimento — a revestidora ou drageadeira de bandeja perfurada — trabalha com quatro variáveis interligadas que precisam de controle preciso:
- Rotação da bandeja: mantém os comprimidos em movimento constante para revestimento uniforme.
- Pulverização: pistolas aplicam a suspensão em vazão controlada, sem encharcar nem ressecar.
- Ar de entrada: aquecido e filtrado, evapora o solvente na taxa certa.
- Ar de exaustão: remove a umidade e mantém o balanço térmico.
O equilíbrio entre pulverização e secagem é o que separa um revestimento liso e uniforme de defeitos como rachaduras, aderência entre comprimidos ou casca de laranja.
Comparativo
| Tipo | Tempo | Ganho de peso | Aplicação |
|---|---|---|---|
| Film coating | 2–3 h | 2–4% | Proteção, sabor, estética |
| Entérico | 3–5 h | 4–8% | Liberação no intestino |
| Sugar coating | 10–16 h | 30–50% | Aparência clássica |
Conclusão
A escolha do revestimento parte do objetivo: proteção e sabor pedem film coating; liberação controlada pede entérico; aparência tradicional pede açúcar. Em todos os casos, o equipamento precisa oferecer controle preciso de temperatura, pulverização e vazão de ar — é isso que garante um revestimento reprodutível lote a lote.
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